segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CRIANÇAS MALTRATADAS: UMA REALIDADE PERVERSA

Uma escola de periferia, de uma cidade do interior do RS, com alunos até a 4ª série do ensino fundamental. Uma estrutura física boa, aberta, com uma sinergia estrutural de acolhimento.

A realidade encontrada: professores cansados por exercerem uma função que não lhes pertence. Educar crianças negligenciadas, abandonadas pelos pais fisicamente presentes. Crianças cuja infância roubada retrata uma realidade assustadora, porque o futuro que se vislumbra é a da delinqüência precoce, da drogadição, da exploração sexual, do abandono social.

O que emerge desta realidade escolar cotidiana?

Em relação às crianças: uma escuta inútil, falta de limites, de respeito e relações entre si tensas, agressivas, de submissão pelo medo.

A convivência cotidiana vai explicitando a sexualidade precoce exacerbada pela dança da “garrafa”, do “créu”, dos bailes “funk”. Neste comportamento aparece a adultilização precoce e a infância roubada. Estas crianças confrontadas com uma brincadeira comum, como construir barcos de papel, retomam o lado da infância e se surpreendem que elas mesmas podem construir brinquedos condizentes com sua idade. No entanto, esta experiência não faz parte de seu cotidiano, logo, retomam aquilo que lhes é familiar – a agressividade, a necessidade de serem confirmadas, não importa se pelo lado negativo ou positivo.

Em relação aos pais: jovens cansados, dependentes do álcool ou das drogas. Mães, profissionais do sexo, com muitos companheiros. Sem “braços” para os abraços. Sem escuta para ouvir, sem olhos para ver. “Clientes” passivas de programas governamentais. Acostumadas a receber. Olhadas pela necessidade básica a ser suprida. Eternas “vítimas”, eternas “clientes”, esquecidas de sua condição de sujeitos de direitos. Passividade consolidada pela falta – pelas expressões da Questão Social que, desde que nasceram, dão sustentação a suas vidas.

Em relação aos professores: cansados pela energia em tentar controlar o incontrolável – a falta de tudo.

Como ensinar quando se tem que manter a disciplina a qualquer custo? Como ensinar quando os cadernos são esquecidos, quando a inquietude retrata a negligência, o abuso sexual, a violência familiar? Como ensinar quando a escuta inútil não permite o socorro? Como ensinar quando este coletivo de professores caminha sozinho, sem que lhes seja oportunizado o cuidado para o enfrentamento a uma realidade de desesperança?

Em relação às políticas públicas: desarticuladas, centradas no dar, sem sentido de totalidade. Caminham juntas, mas paralelamente. Não se cruzam, logo, contribuem para a desesperança.

Como a execução de uma política de habitação pode pensar em construção de moradia a partir de um quadrado? Se planeja uma “cancela” sem muitos gastos. Não se pensa nos sujeitos, moradores. Espaços propícios para a violência, para o abuso sexual, para a promiscuidade. A ótica do direito, na execução, é quase sempre descartada.

Logo, falar em violência, em construção de mais presídios, sem prevenção, é trazer para o contexto uma fala vazia, porque desprovida do compromisso, do sentido do humano, que a sociedade capitalista é tão pródiga em produzir.

Assistente Social Maria da Graça Maurer Gomes Türck

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

IDENTIDADE DA PROFISSÃO NOS ESPAÇOS PROFISSIONAIS

Esta reflexão se inicia por uma pergunta que vem se constituindo pelas diversas falas que emergem dos assistentes sociais ao trazerem suas experiências profissionais cotidianas. Afinal, o que está acontecendo com a profissão no “tempo miúdo” do cotidiano profissional?

Muitas queixas dos assistentes sociais retratam o assédio moral como as que a seguir vou explicitar.

“Sou um vaso de enfeite! Sou uma recepcionista de luxo! Eles me jogaram no arquivo morto, porque tenho posição. Trago eventos para me fazer presente. A equipe médica manda e não pergunta. É uma soberba só. Eles acham que vou atender naquele espaço onde antes era um banheiro!”

Outras retratam a identidade atribuída ao se referirem aos processos de trabalho.

“Faço, faço, faço, mas não sei o que é do Serviço Social. Faço entrevista, visita domiciliar, encaminhamentos. Quando chego em qualquer lugar, sempre dizem o que devo e o que não devo fazer como assistente social.”

É uma história que se repete, pode-se inferir, do Oiapoque ao Chuí. Falas que se ouvem nos espaços mais diversos em que circulam assistentes sociais. Em cursos ministrados, em comentários informais e na voz daqueles que se manifestam em Congressos e Encontros, onde poucos escutam.

Estou cá a pensar, mas onde é que se localiza o “nó” que tem se tornado a perda da alegria, da esperança e da credibilidade em relação à profissão?

Esta situação expressa pelos assistentes sociais retrata a burocratização dos processos de trabalho, que torna os assistentes sociais da prática em tarefeiros em sofrimento ou tarefeiros acomodados. Ao buscar, então, respostas a tanta insatisfação em relação à profissão, a não apropriação da orientação social da profissão é explicitada.

Muitos assistentes sociais vacilam quando se pergunta qual é o Projeto Ético-Político da profissão. E este vacilo é um indicativo do que vem acontecendo em relação à identidade atribuída. Em primeiro lugar, os espaços institucionais, ou organizacionais, são espaços que reproduzem as relações sociais postas pela sociedade capitalista, logo são espaços que se movimentam pelo lucro, pela disputa de poder, pela competição destrutiva, pela reificação das relações, portanto, nada de novo no “front”. No entanto, tem algo em comum entre os assistentes sociais e o assédio moral. O fato de não se saber o que se é, fragiliza o profissional, e, como há a fragilidade no poder argumentativo em relação à profissão, o assistente social se torna presa fácil para os mandos e desmandos da instituição e de outras categorias profissionais. Em segundo lugar, a fragilidade de apropriação do Projeto Ético-Político permite a seguinte leitura: como a formação trata desta apropriação? Como articula o Projeto com a prática cotidiana?

São questões que também levam a algumas reflexões:

Se o Projeto Ético-Político não é apropriado, não se trabalha na ótica do direito, logo, se desconhece na prática o que significa a orientação social da profissão. Conseqüentemente, se ignora a Questão Social como objeto genérico da profissão que vai explicitar a contradição no concreto. Portanto, é neste concreto que a Questão Social vai se expressar pela desigualdade e pela resistência. Então, pode-se afirmar que ao não se ter a propriedade da Questão Social, se fragiliza a identidade porque não se sabe qual o lugar que a profissão deve ocupar para concretizar o seu Projeto Ético-Político através dos seus processos de trabalho.

Logo, a orientação social dada pelo Projeto Ético-Político explicita com propriedade que é no espaço de resistência o lugar do Serviço Social. Agora, sem a apropriação e conhecimento dos seus Fundamentos, como o paradigma marxista, o Método Dialético Materialista, a Questão Social, o Projeto Ético-Político e a Metodologia da Prática Dialética, a realidade profissional que vai restar para os assistentes sociais é a da tarefa, da identidade atribuída e do objeto restrito.

Fica, então, a pergunta: qual é a responsabilidade da academia na formação dos assistentes sociais? Por que se constitui este fosso entre a academia e a prática?

Logo se chegará ao “nó” que deve ser respondido por aqueles que têm o compromisso com a formação. E este “nó” vai se caracterizar pela seguinte questão: como está se constituindo a formação dos assistentes sociais na atualidade que está permitindo este sofrimento ou acomodação quase que coletiva?

Assistente Social Maria da Graça Maurer Gomes Türck

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Lançamento do DVD do Boca de Rua



Este DVD é o resultado de um trabalho coletivo de moradores de rua integrantes do jornal Boca de Rua (Porto Alegre - RS) a partir de uma oficina de vídeo promovida pela Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice), pelo Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS (GAPA/RS), ministrada pelo Coletivo Catarse.

Leia mais sobre o trabalho AQUI.

Lançamento:

Sábado, dia 15 de novembro, a partir das 15h, na Feira do Livro de Porto Alegre.
Sala do Pensamento, Armazén A do Cais do Porto
Os DVDs estarão à venda no local


Apoio Graturck
"A GRATURCK fiel a sua finalidade de consolidar espaços de resistência e possibilitar a garantia de direitos, em consonância com o Projeto. Ético-Político do Serviço Social, se constituí como parceira na viabilização do Projeto do DVD Boca de Rua, para dar visibilidade a outras possibilidades de inserção dos sujeitos "moradores de rua", excluídos de todos os direitos".

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DIÁRIO DE FÉRIAS: REFLEXÃO SOBRE A QUESTÃO SOCIAL

Alemanha – Frankfurt. Uma cidade destruída pela guerra e totalmente reconstruída. Tornou-se um símbolo do capitalismo. Muitos, muitos bancos, que, segundo a guia, se multiplicam cada vez mais, imensos – escuros, imponentes, dá uma sensação de faz-de-conta. Frankfurt à noite, muito mais escura. Prédios semi-iluminados, cidade depressiva. As pessoas se vestem de negro e cinza (estilo gótico). Assustador. Único bairro iluminado é o bairro vermelho. Uma rua em que estão localizadas as casas de jogos, boates de prostituição, drogas, etc... Segundo a guia, um bairro muito perigoso. Só se passa de carro ou, se for a pé, em um grande grupo, caminhando devagarinho. Bairro dominado pela “máfia russa”. Todos sabem, mas não fazem nada. Claro, pode-se inferir que o dinheiro da máfia sustenta os grandes bancos. Muito dinheiro. Daqui, segundo informações, é que saem para o mundo os materiais necessários para a fabricação de drogas sintéticas: anfetaminas, cristal, metanfetaminas. Logo, a riqueza sustentada pelo sofrimento alheio. Frieza, indiferença e interesse são as marcas registradas que perpassam aos olhos atentos de estrangeiros do 3º mundo. Ali as pessoas te olham, mas não te enxergam.

Agora, mais do que nunca, entendo MARX e a sua necessidade de entender a humanidade ao analisá-la pela ótica da economia política. Uma civilização que vem se construindo através do mercado e, sistematicamente, vem perdendo a dimensão de sua própria humanidade.

“Olhos que não querem ver”, MARX sabia o significado. Olhos que querem ver são olhos que enxergam com a alma, em que o ser humano tem significado de sujeito singular e não de “coisa”.

É muito dinheiro para poucos e muita fome para muitos. Londres, Paris, Frankfurt, centros nervosos do capital internacional, alheios à dor da humanidade, centrados no mercado, no lucro e na exploração, locais onde a fetichização se concretiza pela centralidade e luminosidade dada à “coisa”.

Logo surge a pergunta que nunca quer calar, se organiza e se concretiza: como a Questão Social se expressa na Europa Ocidental?

A resposta vem forte, pela voz e gestos de seus cidadãos mais comuns.

Londres: “os negros não gostam de trabalhar de dia, são preguiçosos e ficam acordados à noite”. As praças públicas cercadas em bairros de luxo, só quem tem a chave do portão as freqüenta. Por quê? Porque os moradores do bairro as cuidam, pagam, são privatizadas, logo, excludentes.

Paris: empregos subalternos ocupados por estrangeiros de países de 3º mundo. Eles aprendem que neste mundo, se tiverem dinheiro, terão valor. Logo, para consegui-lo, aprendem que têm que enganar, extorquir.

Frankfurt: “eles estão dormindo na rua porque querem. Não querem trabalhar. Começam com drogas e terminam com vinho. O governo lhes dá condições de albergue, mas ficam na rua porque querem”.

Pelo jeito, não se questiona a sociedade de classes. Parece que não existe. Tudo é culpa do sujeito ou das etnias. Logo, pode-se inferir que a Questão Social na Europa se expressa pela alienação, através do preconceito que se viabiliza pela exclusão, muito bem caracterizada nas relações cotidianas.

Maria da Graça Maurer Gomes Türck

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Curso de Perícia Social em Salvador

Começa hoje e se estende pelos dias 4, 5, 6 e 7 de novembro, na capital baiana, ministrado pela Doutora e Assistente Social Maria da Graça Türck para 25 Assistentes Sociais da Polícia Federal, seguindo os moldes do curso oferecido aqui em Porto Alegre.

Se você tem interesse de levar os cursos da Graturck para a sua cidade, entre em contato pelo e-mail matriculas@graturck.com.br e solicite maiores informações e orçamentos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Faça o Curso de Perícia Social com a Garturck

Perícia Social

Módulo 1

14 de novembro (sexta)
Horário: 19h às 22h

15 e 16 de novembro (sábado e domingo)
Horário: 9h às 17h30

Módulo 2

21 de novembro (sexta)
Horário: 19h às 22h

22 e 23 de novembro (sábado e domingo)
Horário: 9h às 17h30


Não perca tempo para se inscrever, os cursos da Graturck são de turmas pequenas e as vagas são limitadas.

Faça a sua matrícula pelo e-mail matriculas@graturck.com.br

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Questão Social = Questão de Polícia?

Retirado do blog Dialógico

Caros(as) companheiros(as)

Coloquei em anexo para quem não teve a oportunidade de conhecê-la, a surpreendente e contundente matéria da Zero Hora de 18/10/2008, feita a partir de depoimentos de oficiais e soldados da Brigada Militar sobre a repressão desencadeada contra a Marcha dos Sem e o piquete dos bancários em greve, mobilizações de trabalhadores ocorridas em 16/10/2008.
A reportagem mostra que a Brigada Militar está dividida sobre como tratar as mobilizações dos trabalhadores gaúchos, que se repetem cada vez mais fortes. De um lado, o seu Comandante, Coronel Mendes, é radical na defesa da repressão, e a tem aplicado de forma selvagem contra o MST, o CPERS, o movimento dos desempregados, e agora, aos bancários em greve. De outro lado, estão os oficiais e soldados que não aceitam a orientação do Comandante, e querem o diálogo com os movimentos.
Os críticos à orientação do Comandante parecem preocupados com a possibilidade de serem responsabilizados criminalmente pelos danos físicos e morais que as ações da Brigada Militar estão causando à dezenas de trabalhadores gaúchos. Certamente não ignoram as condenações de militares responsáveis por assassinatos e tortura na Argentina e, inclusive no Brasil, onde o Coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra foi declarado torturador pela Justiça de São Paulo.
Se não bastasse a preocupação daqueles que tem voz de mando, a intranqüilidade chegou aos soldados. É ilustrativa a declaração dada à Zero Hora por um soldado do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar:
“Se a ordem é ir para cima, tu vai, e os caras do outro lado vão reagir. Um dia vai estourar uma grande bronca e seremos nós que sentaremos no banco dos réus. A gente vai em todos os confrontos. Nossa escala é de 24 horas, a gente já dorme pronto, ao lado das granadas, do escudo e do capacete, da perneira, da joelheira. O que achei mais ridículo em todos estes anos de BM foi a revista para identificar professores. Eram todos colegas ganhando pouco como a gente.”
O aparelho repressivo próprio do Estado do Rio Grande do Sul está dividido sobre como agir em relação ao movimento dos trabalhadores. Esta em cheque a Governadora Yeda, a responsável maior pela política repressiva levada a cabo pelo Comandante da Brigada Militar. Das duas uma: Ou os oficiais e soldados serão punidos disciplinarmente, ou o Comandante da Brigada Militar será exonerado. Creio que se depender de Yeda, o Coronel Mendes continua no cargo.
Os movimentos dos trabalhadores não podem ser espectadores do desdobramento desta crise na Brigada Militar, que tende a agravar-se.
Não queremos um estado policial militar no Rio Grande do Sul. Não queremos a questão social tratada como questão de polícia, como na República Velha e na ditadura, onde sindicalista era tido como “baderneiro.” A repressão que está sendo desencadeada contra os movimentos sindicais e populares já está fora de controle e representa uma ameaça às liberdades democráticas.
Precisamos exigir a ação da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, a apuração completa das agressões contra os bancários e a Marcha dos Sem, com a punição dos responsáveis e a exoneração do Comandante da Brigada Militar.

PELA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DOS TRABALHADORES

Saudações sindicais
Em 19/10/2008
Clovis Carneiro de Oliveira
Secretário Geral do CPERS-Sindicato

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Entrevista com Moradores de Rua

São pessoas que cruzamos pelas ruas diariamente. Às vezes estão mais presentes no nosso cotidiano, que nossa própria família. Mas como é a realidade - não dos donos da rua - mas, dos moradores das ruas? Pessoas que estão presentes, mas que nunca procuramos saber quem realmente são. Por medo? Por nojo? Por preferir ignorar? Seja qual for o motivo, a verdade é que quando conversamos com essas pessoas, vemos uma outra verdade. Aquela que vai além da noticiada, que vai além do que se vê, que acaba com o medo, com o nojo, com a ignorância e, muitas vezes, podemos inclusive nos identificar. No dia 4 de setembro de 2008, estivemos conversando com um grupo de moradores de rua procurando quebrar barreiras e acabar com preconceitos que não têm razão de existir.


Para ler a entrevista na íntegra CLIQUE AQUI

ONDE ESTÃO AS MULHERES?

Mulheres, de idades diversas, de 45 a 20 anos, casadas, com companheiros, com filhos, residentes em um território sem infra-estrutura, sem lei, cujas histórias de vida são tecidas pela violência, pelo crack, pelas perdas, pelo uso abusivo de antidepressivos para entorpecer a tristeza que não nasce delas, mas da realidade, que não lhes dá esperança, pelo envelhecimento precoce, pelo esquecimento de sua feminilidade e, principalmente, de sua sexualidade.

O que as une?

A dor. A dor de não se reconhecerem mulheres. De se perceberem somente mães, donas de casa, empregadas de filhos e de maridos/companheiros. Que, entorpecidas por uma realidade cruel, vão se constituindo “clientes” dos programas de qualquer município, incentivadas pela forma como muitas vezes são tratadas. E, assim, vão se constituindo espaços de toma-lá-da-cá, mas, ao mesmo tempo, também espaços de luta, em que a contradição vai se explicitando pela disputa inexorável na briga pelos direitos se contrapondo aos que as vêem como possibilidades da troca de favores. É nesta turbulência de interesses que se vai constituindo uma resistência que se explicita pela recusa do profissional assistente social em trabalhar com o “queixume”, traduzido como uma ladainha rotineira, esperada para justificar o assistencialismo em detrimento aos direitos. Elas aprenderam que esta atitude pode ser transformada em estratégia de sobrevivência.

E, assim, o assistente social que quer ir além do aparente, que reconhece as artimanhas da exclusão social, assume como eixo de seu processo de trabalho com estas mulheres a busca, mesmo que no caos cotidiano, por resgatar a mulher esquecida pelo cuidado dos filhos, pela lida doméstica e pela exigência dos maridos/companheiros ao tratá-las como recipientes de esperma.

Mas onde está a mulher mesmo?!

Neste contexto embrutecido, instituir processos de trabalho na garantia de direitos é como garimpar em terra arrasada, em que se esquece da palavra, do carinho, do elogio. É resgatar o brilho no olhar ao oportunizar a sua conexão consigo mesma, com sua sexualidade, com sua feminilidade, com sua competência. É trazer para este contexto a possibilidade de se concretizar o Projeto Ético-Político ao se adquirir a consciência de que é nesta realidade dura e desumana que a humanidade se expressa para acolher o outro e dar-lhe a dimensão exata do direito.

Assistente Social Maria da Graça Maurer Gomes Türck

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A crise do capitalismo e a importância atual de Marx

ENTREVISTA: ERIC HOBSBAWM

Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.
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Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.

Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro “Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later” (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).

Nesta conversa, abordamos o renovado interesse que os escritos de Marx vêm despertando nos últimos anos e mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. Nosso colaborador Marcello Musto entrevistou Hobsbawm para Sin Permiso.

Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”.

Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?


Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.

Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.

A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.

Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.

Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?

Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.

As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.

Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?

Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.

Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.

No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.

Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.

Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?

Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os "Grundrisse" provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).

Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?

Eric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.

Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?

Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.

Tradução para Sin Permiso (inglês-espanhol): Gabriel Vargas Lozano
Tradução para Carta Maior (espanhol-português): Marco Aurélio Weissheimer

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Em movimento

No dia 23 de setembro, em Santa Maria, a Assistente Social e Dra. Maria da Graça Türck iniciou uma seqüência de participações em diversos eventos.
Dia 1º de outubro, foi a vez de Bagé, onde foi ministrado um minicurso de 4 horas com o tema: Interlocução entre Secretaria da Assistência Social e o Judiciário (Elaboração de pareceres jurídicos).

Abaixo, fotos de Santa Maria e os próximos movimentos:










Clique aqui para baixar a apresentação de Santa Maria.

6 de outubro - Vacaria
Fala de encerramento de grupo de estudos formado por professores de escolas públicas e particulares. O grupo tem como objetivo a formação de multiplicadores nas escolas; um trabalho de atenção do professor para com a vítima criança e/ou adolescente. Os temas estudados: conceito de normalidade e doença mental; abuso sexual; negligência; abandono; maus-tratos; violência física; violência psicológica; além de espiritualidade do grupo; o ECA; o proceder da polícia; a visão da medicina, exames, etc.

9 de outubro - Porto Alegre
No Hospital Nossa Senhora da Conceição, explanação sobre a aplicabilidade do Método Dialético Materialista (tema de sua Tese de Doutorado).
Contexto: o Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição é formado por 12 Unidades de Saúde espalhadas na região norte de Porto Alegre. São 12 equipes multiprofissionais, que contam com Assistentes Sociais. Em 07 equipes, há o programa de Residência Integrada em Saúde, também com Assistentes Sociais Residentes. Estes, geralmente, são profissionais recém-formados e ficam 02 anos trabalhando nos locais e com atividades teóricas. A atividade do dia 09 é uma dessas atividades teóricas, chamada de Seminário de Núcleo de Serviço Social. Estarão participando 13 Assistentes Sociais Residentes e 07 Assistentes Sociais Preceptoras/Orientadoras.

Bem-vinda, Taciana!

"A esperança na luta pela consolidação do Projeto Ético-Político passa pelo comprometimento dos assistentes sociais, independente do simples discurso. E estes dois textos a seguir dão o tom em relação a ser assistente social comprometido com o Projeto Ético-Político e com o conhecimento na concretização de nossos processos de trabalho. Bem-vinda, Taciana! Assistente Social nota 10".

MANDAMENTOS DO ASSISTENTE SOCIAL

1. Amar o Serviço Social crítico sobre todas as perspectivas conservadoras;

2. Não utilizar a Política de Assistência Social, como ação social;

3. Honrar a Ética profissional;

4. Utilizar a Política Social numa perspectiva de desenvolvimento social e dignidade humana;

5. Lutar pelos Direitos Sociais numa perspectiva de cidadania;

6. Reconhecer o usuário, como sujeito de direito;

7. Tratar a Questão Social, como expressão do capital x trabalho;

8. Não ser conivente com a injustiça social e todas as formas de preconceitos;

9. Trabalhar a desigualdade social, através do desenvolvimento humano, da autonomia, da qualidade de vida e da eqüidade;

10.Zelar pelo Projeto ético-político numa perspectiva crítica.


CONDICIONALIDADE PARA O EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL

1. Se você não sabe o que é Questão Social, chame o capital;

2. Se não sabe a função do Estado, chame o proletariado;

3. Se você não sabe o que é Política Social, chame o estatal;

4. Sumiu o Direito Social, chame o constitucional;

5. Se não sabe o que é Assistência Social, deixe de ser profissional;

6. Se não sabe o que é Ética, estude o código de ética;

7. Se não Articulou e Socializou, não se identificou;

8. Se não Instrumentalizou, não se politizou;

9. Se não sabe trabalhar na Totalidade, desista na imediaticidade;

10.Se não sabe o que é Marxismo, vive no imediatismo;

11.Se não sabe o que é Cidadania, fica na filantropia.


* TACIANA MARTINS PADILHA, Assistente Social, pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos. Atua como Agente Fiscal do Conselho Regional de Serviço Social em Alagoas.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Elaboração de Projetos - Matrículas Abertas!

Confira as datas para o curso de Elaboração de Projetos:

Módulo 1

De 07 a 10 de outubro (de terça a sexta)
Horário: 19h15 às 23h15

11 de outubro (sábado)
Horário: 13h30 às 17h30

Módulo 2

1, 8, 29 de novembro (Sábados)
Horário: 9h - 17h30

6 de dezembro (Sábado)
Horário: 9h - 17h30

Inscreva-se, não se esqueça que as vagas são limitadas.

Faça a sua matrícula pelo e-mail matriculas@graturck.com.br

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Faça o Curso de Perícia Social com a Garturck

Confirmados o Módulo 1 e 2 de Perícia Social. Confira todas as datas:

Perícia Social

Turma 2: Durante a semana

Módulo 1

De 07 a 10 de outubro (de terça a sexta)
Horário: 19h15 às 23h15

11 de outubro (sábado)
Horário: 13h30 às 17h30

Módulo 2

De 13 a 17 de outubro (de segunda a sexta)
Horário: 19h15 às 23h15


Turma 3: Fim de semana

Módulo 1

14 de novembro (sexta)
Horário: 19h às 22h

15 e 16 de novembro (sábado e domingo)
Horário: 9h às 17h30

Módulo 2

21 de novembro (sexta)
Horário: 19h às 22h

22 e 23 de novembro (sábado e domingo)
Horário: 9h às 17h30


Não perca tempo para se inscrever, os cursos da Graturck são de turmas pequenas e as vagas são limitadas.

Faça a sua matrícula pelo e-mail matriculas@graturck.com.br

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Palestra

A professora e Assistente Social Maria da Graça Türck estará dando palestra sobre consultoria e assessoria na Unifra, em Santa Maria, em virtude do Encontro Regional de Assistentes Sociais, dia 23 de setembro, pela manhã. O evento é promovido pela própria universidade e conta com apoio do Núcleo de Assistentes Sociais da região.

O QUE ESTÁ POSTO E A QUESTÃO SOCIAL!!!

A leitura que nós, assistentes sociais, a partir dos fundamentos do Serviço Social, podemos realizar através da realidade expressa em artigos postados neste blog, nos dá a dimensão exata do significado de nosso Projeto Ético-Político, do espaço de resistência, da Questão social como objeto do Serviço Social e do Método Dialético Materialista para realizar a análise que se impõe desta realidade retratada. Logo, vamos retomar a leitura dos mesmos a partir do que fundamenta a nossa profissão.
A sociedade capitalista de cunho periférico se constitui pela relação capital e trabalho sustentada pela base econômica que objetiva as relações sociais consolidando então a realidade social pela desigualdade, uma das faces que explicita a Questão Social.

Estas relações sociais para serem mantidas são sustentadas por uma superestrutura, que as subjetiva e que lhes dá sustentação legal, política e ideológica. Logo, a superestrutura, constituída pelo sistema de leis, assegura a consolidação da defesa dos interesses do grande capital. O sistema político vai legislar em defesa desses interesses, e o sistema ideológico vai, então, ser articulado no convencimento da sociedade de que a desigualdade social é produto de atos individuais dos homens. E este convencimento é realizado também através dos meios de comunicação – grande mídia, e da educação acrítica, que desemboca ou na falta de informação, ou na sua distorção, conseqüentemente transformado os sujeitos pela subjetivação de sua subjetividade na construção e manutenção de uma consciência acrítica que desconsidera o coletivo e fortalece o individualismo.

A partir desta breve reflexão, vamos, então, articular a teoria com a prática, para a apropriação do aparente, desvendando a Questão Social, em que a contradição explicitada pela resistência permite a operacionalização do Projeto Ético-Político através de nossos processos de trabalho na intervenção desta realidade.

No momento atual, a Bolívia, na América Latina, expressa com crueza a Questão Social, através da desigualdade social embutida nos interesses das riquezas minerais, escudada pelo racismo colonialista daqueles que representam a elite branca daquele país. Logo, a base econômica ganha força, por exemplo, através do racismo. Para explicá-la, as categorias historicidade, totalidade e contradição sustentam a análise do momento social, econômico e político daquele país, cuja história destaca o colonialismo predatório em busca das riquezas, o genocídio étnico, a miséria, a exploração e a negação dos direitos indígenas. Ao mesmo tempo, explica o recrudescimento dos conflitos atuais, pela ocupação do espaço de resistência, a outra face da Questão Social se manifestando, quando a maioria da população boliviana elegeu o índio Evo Morales presidente da república e o referendou em plebiscito recente.

Saindo da Bolívia, se chega ao Brasil, mais precisamente na carta de Ana Maria Araújo Freire, viúva do grande educador Paulo Freire. A carta é uma resposta ao encomendado artigo de autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, publicado no catálogo Veja, no sentido de criar no imaginário dos leitores e, conseqüentemente, na sua divulgação, a desqualificação de uma proposta pedagógica criada por Paulo Freire para dar conta da formação crítica no enfrentamento da alienação que se constitui em um aliado da exploração e da manutenção dos interesses do grande capital. Pode-se também identificar que estas duas “jornalistas” são dignas representantes da classe dominante, ao se constituírem como hospedeiras da opressão, negando sua condição de classe e vendendo os interesses do grande capital ao defenderem a educação bancária, que se torna tão importante e estratégica no momento em que a educação é transformada em mercadoria.

Ainda se tem a tão propalada crise financeira estadunidense, que nada mais é do que o engodo do grande capital que supervalorizou a especulação de títulos de aplicação duvidosa, chamada pela grande imprensa de “papéis podres”.

Qual a conseqüência disto, que não é explicitado abertamente?

É a contradição do grande capital, que, para “ser salvo”, necessita da injeção de dinheiro público. Logo, indo por terra o que é tão propalado pelos neoliberais: a competência do MERCADO em detrimento da gestão do Estado em áreas fundamentais. Pode-se, então, perguntar: qual vai ser a conseqüência desta crise financeira para o povo estadunidense? Resposta óbvia para quem tem a Questão Social como seu objeto e o Método para realizar esta análise da atual conjuntura que está mexendo com o sistema financeiro mundial. Aqueles mais desfavorecidos vão deixar de receber via políticas públicas seiscentos bilhões de dólares, e a sociedade estadunidense vai pagar este dinheiro que está sendo desviado para salvar o capital privado.

E uma pergunta que não quer calar: como ficam, no Brasil, os fundamentalistas defensores da privatização do Estado?

Para eles uma reflexão: o velho MARX, não está ultrapassado e muito menos morto. Está mais vivo do que nunca, nos ensinando como entender as artimanhas do capitalismo.

Portanto, os fundamentos do Serviço Social vão dar conta deste entendimento e de que o movimento de operacionalização do Projeto Ético-Político implica na ocupação dos espaços de resistência para denunciar e dar visibilidade aos meandros da Questão Social, que, fragmentados, são individualizados e “vendidos” à sociedade com a criminalização do coletivo nos movimentos de resistência e na des-responsabilização dos construtores da desigualdade social, pela concretização e banalização da exclusão social.

Assistente Social Maria da Graça Maurer Gomes Türck

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

106 camponeses estão desaparecidos após o massacre em Pando

Do Terra Magazine:
A Federación Sindical Única de Trabajadores Campesinos de Pando, departamento onde pelo menos 15 pessoas foram vítimas de massacre cuja autoria intelectual é atribuída ao governador Leopoldo Fernández, divulgou lista com nomes de 106 pessoas desaparecidas há uma semana.(...)

Os camponeses relataram ao Defensor do Povo o desaparecimento de crianças que acompanhavam seus pais na marcha em direção à Cobija, capital de Pando, no dia 11 de setembro. Eles acreditam que alguns desaparecidos possam ter sobrevivido refugiando-se na floresta, mas que foram perseguidos e assassinados por funcionários do governo de Pando, a mando do governador, que se encontra preso em La Paz.

- Nós não temos a menor dúvida: o massacre foi muito bem planejado por Leopoldo Fernández e executado por subalternos dele no governo, aliados políticos e sicários brasileiros. Existem provas e testemunhas de que eles conduziram uma caminhonete até Porvenir, que estava carregada de balas, metralhadores, pistolas e fuzis. O que aconteceu foi uma matança organizada de gente pobre comprometida com a mudança pacífica de nosso país. O massacre não pode ficar impune - afirmou Manoel Lima (foto), que trocou um cargo de diretor sindical por um cargo federal na Unidade de Desenvolvimento Integral da Amazônia.(...)


Vídeo, fotos e muito mais texto, clique aqui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

No RS, a Questão Social se expressa diariamente de forma nítida

Do RS Urgente:

As prioridades do coronel Mendes

Beatriz Fagundes escreve em sua coluna no jornal O Sul:

Ontem, o comandante da Brigada comunicou que serão mantidas por tempo indeterminado, durante 24 horas, barreiras da BM nas principais vias da capital. Essas barreiras têm o objetivo de diminuir a incidência de crimes em nossa cidade. Só ficou estranha a informação de que as barreiras só serão desativadas quando houver alguma ação de movimentos sociais. Ops! Como assim, qual a relação que existe entre criminalidade e movimentos sociais? Isso nos leva a acreditar que as denúncias de líderes destes movimentos vêm acusando o governo e muito especialmente a BM de estar deliberadamente, como política de Estado, agindo de maneira truculenta com esses movimentos.

Se assim for, estamos diante de um crime contra a Constituição, que, gostem ou não, o comandante da BM e a governadora continuam vigindo em todo o território nacional. Com tantas estrepolias e acusações de corrupção em setores e secretários de Estado, que já foram demitidos ou mesmo permanecem nos cargos, vai ser uma glória uma acusação de truculência e crime contra os direitos garantidos pela Carta Magna. A propósito, os marginais vão ficar atentos às notícias sobre movimentos sociais. Nos dias em que a BM deixar de prender bandido para perseguir cidadãos insatisfeitos que utilizam do sagrado direito de se manifestar, a cidade será o paraíso dos ladrões e traficantes.

sábado, 13 de setembro de 2008

VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

Fonte: Blog Vi o Mundo

Assista Paulo Freire:

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Novas turmas de Questão Social

A Graturck está abrindo mais 2 turmas de Questão Social até o final do ano, procurando atender tanto quem é de Porto Alegre, quanto quem vem do interior:

Questão Social: da experiência vivida no cotidiano profissional à teoria

Carga-horária:
20 horas

Turma QS2 - Dias e horários:
De 07 a 11 de outubro
Terça a sexta (19h15 – 23h15)
Sábado (13h30 - 17h30)

Turma QS3 - Dias e horários:
21 de novembro – sexta (19h – 22h)
22 de novembro – sábado (9h – 18h)
23 de novembro – domingo (9h – 17h)

Faça sua matrícula através do e-mail: matriculas@graturck.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Questão Social de todos os dias

A América do Sul, por ter toda sua história forjada na expropriação da propriedade da terra dos povos nativos, na posterior chacina dos mesmos e na chegada de um "pacote" escravagista que instalou as bases de um capitalismo colonialista, ainda vai sofrer muito para a abrir as suas veias e sangrar todo o preconceito e dominação cultural que se gerou daí.
Hoje, a Bolívia vive a convulsão social, a própria luta de classes, com a elite branca, não-nativa, se revoltando contra processos democráticos e contra a ameaça de sua hegemonia.

A revolta dos brancos

Arma-se um golpe racista na Bolívia

"Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz", foi o que disse ontem Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo legítimo de Evo Morales.

No mês passado, Rubén Costas, governador rebelde do rico Departamento de Santa Cruz de la Sierra, já havia chamado Evo Morales de macaco.

A oposição raivosa contra o presidente Evo Morales é formada ainda pelo líder do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, um notório direitista que não se conforma em ser governado por um descendente da maioria indígena da Bolívia.

Esses três brancos e racistas lideram junto com os governadores dos Departamentos de Tarija, Beni e Pando a oposição insurgente contra o poder político legítima e autenticamente representado por Evo.

A principal estratégia dessa direita inconformada é a violência. Estão fechando estradas, impedindo o escoamento da produção com o intuito de paralisar o país e levá-lo a uma situação de insatisfação generalizada, bem como tentativas mal sucedidas de cortar o suprimento de gás natural para o Brasil, causando tumulto nas relações binacionais.

Em alguns momentos, o cenário é bastante semelhante ao golpe que derrubou o governo de Salvador Allende, no Chile em 1973, especialmente quanto ao bloqueio de vias e estradas importantes para o abastecimento de víveres e mercadorias, embora, difira quanto a presença de conspiradores nas embaixadas dos Estados Unidos (que no Chile foi fundamental para o sucesso do golpe pinochetista) e do Brasil (que foi um local privilegiado de reunião dos conspiradores internos e externos).

Pelo menos por enquanto, nada indica a presença de estrangeiros na orientação aos golpistas da minoria rica e branca. Por ora.

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Artigo de Cristóvão Feil, do Diário Gauche

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

UM SONHO REALIZADO!

Os dias 29, 30 e 31 de agosto marcaram o início oficial da GRATURCK como um espaço profissional para os assistentes sociais discutirem, partilharem seus conhecimentos e, principalmente, compartilharem seus saberes e não saberes profissionais. Um espaço para socializarem suas dúvidas e dificuldades a partir de palavras mágicas como as “eu não sei”. Palavras que se tornam assim porque abrem as portas para a aprendizagem e a consolidação de um conhecimento já adquirido, mas ainda não articulado na prática cotidiana.

Bem-vindos, assistentes sociais, que, como nós, integrantes da GRATURCK, somos forjados na luta cotidiana e que sabemos muito bem das situações críticas vivenciadas no enfrentamento e no trabalho com as expressões da Questão Social que nos confrontam com as dificuldades em articular teoria com a prática na concretização do Projeto Ético-Político profissional.
Ass.: Maria da Graça Maurer Gomes Türck e Regina Gomes Martins

E neste final-de-semana tem mais!
Iniciam-se as aulas de Perícia Social no Módulo 2.
Se você deseja fazer algum dos cursos da Graturck, não hesite em entrar em contato pelo e-mail matriculas@graturck.com.br. Além disso, você pode já ter uma idéia do que estamos oferecendo dando uma olhada nas descrições constantes ali, na barra lateral esquerda deste site.

Sobre Charqueadas

Vídeo sobre a cidade de Charqueadas.


Clique na figura para ampliar.

Trabalho de Capacitação da Rede de Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência, desenvolvido pela Graturck em 10 de abril de 2008.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A PRIMEIRA TURMA DE QUESTÃO SOCIAL

Terminaram nesse domingo as aulas da primeira turma matriculada nos Cursos da Graturck, do Módulo 1 - Questão Social. Em sua maioria, as assistentes sociais irão cursar Perícia Social, do Módulo 2, que se inicia dia 13 de setembro.
Devido à grande procura, estamos abrindo uma nova turma para o Módulo 1 nos dias 05, 06 e 07 de setembro para preenchimento das vagas que ainda restam para o curso de Perícia Social e para os interessados também em outros cursos.
As inscrições estão abertas até quarta-feira, dia 03 de setembro.
Não há previsão de abertura de novas turmas para o Módulo 1, portanto, entre em contato pelo telefone (51) 3012.5509 ou pelo e-mail matriculas@graturck.com.br e garanta sua vaga!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Começa hoje!

Hoje iniciam-se as aulas do Módulo 1 - Questão Social, dos Cursos Graturck. A partir das 19h30min, as professoras Maria da Graça Türck e Regina Martins estarão ministrando a aula inaugural do módulo que terá conclusão no sábado e no domingo.
Para esta turma ainda restam algumas vagas, podendo os interessados se inscreverem até o sábado, às 9h, sem correr o risco de não cumprir carga horária para recebimento de certificado.
Esta turma abre a primeira parte do curso de Perícia Social (Módulo 2), a se iniciar no dia 13 de setembro. Para aqueles interessados neste curso, mas que perderam a data deste final de semana, está se planejando abrir nova turma nos dias 05, 06 e 07 de setembro.
Então, não perca tempo!
Inscreva-se logo.

Informações pelo e-mail matriculas@graturck.com.br ou pelo telefone (51) 3012.5509, com Têmis.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Mais-Valia

Quer saber como funciona o sistema capitalista e como a mais-valia se materializa?
Assista a este vídeo aqui abaixo e veja uma leitura de Marx sendo feita sem mencionar o Marxismo.

A HISTÓRIA DAS COISAS

Você faz parte disso e, agora, tem consciência do que é.

Questão Social: Questão Indígena

Artigo extraído do blog Diário Gauche.

Raposa é terra indígena, sim!


A homologação de Raposa Serra do Sol é emblemática para as lutas indígenas no Brasil. Cabe ao Supremo Tribunal Federal exercer seu dever fundamental de garantir o que determina a Constituição, que afirma ser dos índios a posse e o usufruto exclusivo das terras tradicionalmente por eles ocupadas. As áreas invadidas pelos arrozeiros são terras tradicionalmente indígenas.

A decisão do STF favorável aos indígenas de Raposa é uma decisão que afirma a valorização da multiculturalidade brasileira e de um País que reconhece os direitos de seus povos originários. Não há razões que justifiquem uma decisão contrária. O procedimento demarcatório de Raposa obedeceu a todos os parâmetros legais.

Se dizem que “há muita terra para pouco índio”, a verdade é que Raposa tem 1,7 milhão de hectares, ou 7,5% do território de Roraima, onde vivem 194 comunidades.

Somando outras 31 terras indígenas no Estado, obtêm-se 46% de sua superfície demarcada. Nos 54% restante cabem os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Alagoas, onde vivem 22 milhões de pessoas. Porém, a população de Roraima não chega a 400 mil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As terras indígenas não inviabilizam o desenvolvimento de Roraima. O “desenvolvimento” que praticam os invasores das terras indígenas comporta irreversíveis prejuízos sociais, ambientais e culturais. Os invasores são isentos de pagar impostos ao Estado até 2018 e suas lavouras não geram muitos empregos como dizem, pois os trabalhos são mecanizados.

Raposa Serra do Sol não coloca em risco a soberania nacional. Pela Constituição, as terras indígenas são patrimônio da União, que possui plenos poderes sobre elas.

A área Yanomami, seis vezes maior, não se tornou uma nação independente e não vai se tornar. Ao contrário, as terras indígenas conferem segurança ao País, por possuírem cidadãos brasileiros, os indígenas, em vigilância constante na região; por serem propriedades da União; e, quando em faixa de fronteira, terem proteção constitucional das Forças Armadas.

As terras indígenas são bens indispensáveis e inalienáveis. Prestam relevante função ambiental ao País ao protegerem florestas, rios e savanas. Raposa Serra do Sol é terra indígena, sim!

Artigo de Éden Magalhães, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), publicado hoje no Estadão.

Foto: mulheres waimiri-atroari que vivem em tribos indígenas no Sul de Roraima.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

OBRIGADO!

AMIZADE, CONHECIMENTO E ÉTICA: três categorias que teceram um momento de resgate de uma história institucional que teve o seu fim formal no dia 17 de março de 2008.

No dia 23/08/2008, às 19:30, teve início a formatura de 50 alunos do Curso de Serviço Social da ULBRA/Canoas. Muitos, meus ex-alunos, em diferentes disciplinas, em momentos diferenciados nos sete anos que ministrei aulas nessa universidade.
E porque foi um momento mágico? Porque, publicamente, eles me devolveram, na homenagem que a mim prestaram, a exata dimensão do significado da palavra professor.
E, agora, publicamente quero agradecer a todos eles que, com suas palavras, seus abraços, me deram condições de viver e, mais uma vez, consolidar o que o grande educador Paulo Freire nos ensinou – se é professor por inteiro. As palavras só têm significado quando explicitam a vivência de um indivíduo, e só se ensina se o conhecimento vem acompanhado de afeto, traduzido por “um olho que quer ver” a totalidade no sujeito.
Obrigado por explicitarem que o que se ensina passa pela firmeza ética, pelo conhecimento vivido na prática e pela amizade e respeito construídos no cotidiano das salas de aula, onde cada aluno é respeitado pela sua própria história demarcada pela sua identidade.
Foi neste momento que o ato de se ensinar/aprendendo foi explicitado por um destes formandos: “Obrigado por me ensinar o caminho”. Aprendi com ele, naquele momento, que minha única obrigação é com a formação coerente com o Projeto Ético-Político, não na citação vazia de sentido pelo não-vivido, mas pela força da sua vivência cotidiana que dá sustentação a cada ato cotidiano dos Assistentes Sociais que sabem o significado e o preço que se paga pela luta pelos direitos.
Obrigado pelo abraço e pela devolução de meu ato de ensinar nestes sete anos em que convivemos em permanente aprendizagem de CONHECIMENTO, AMIZADE E ÉTICA.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Fogo neles!

Artigo de Cristóvão Feil, do blog Diário Gauche.


Queimando mendigos

O jornal Zero Hora, que pertence ao grupo midiático RBS (apoiadores e beneficiários do golpe civil-militar de 1964), hoje (16 de agosto), está simbolicamente queimando mendigos e moradores de rua de Porto Alegre.

Procede como porta-voz do senso comum mais rançoso e intolerante. Desconhece a responsabilidade social que deveria portar como empresa de comunicação de massas. Prefere manifestar-se como o mais atrasado dos indivíduos da classe média urbana, supondo que a cidade é de quem paga por ela. Quer abolir de uma vez por todas o espírito iluminista de cidadania e colocar em seu lugar a impostura do indivíduo consumidor, que se basta na sua neurose excludente e medrosa.

Zero Hora vem construindo – há tempos (não é de hoje) – uma série que ratifica e sanciona os impulsos mais rebaixados do ser humano, baseado na aprovação do mito da irresponsabilidade social. Os moradores de rua são perdedores, devem ser enxotados do convívio urbano (e humano). Na sociedade que a RBS busca, não cabem os insolventes, porque estes aspiram no máximo a serem cidadãos, e jamais serão os consumidores perfeitos.

ZH está autorizando mesmo que um adolescente estúpido, filho da classe média branca e ainda solvente, amanhã ou hoje à noite mesmo, compre um galão de combustível e execute a sua micro-solução-final para “os donos da rua”.

Mas um mendigo incendiado será que basta para o altar de sacrifícios do deus-mercado de ZH?

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

REFLEXÕES DA TESE DE DOUTORADO: PROCESSOS DE TRABALHO DOS ASSISTENTES SOCIAIS

Por que processos de trabalho?

A ruptura teórica assumida pelos assistentes sociais nas décadas de 1980 e 1990 legou para a categoria uma outra maneira de ler a realidade. Demarcou o espaço de resistência a partir da apropriação da Questão Social como seu objeto, explicitando a contradição. Assumiu como orientação social da profissão a defesa intransigente de direitos e a busca por uma sociedade mais justa e igualitária, através de seu Projeto Ético-Político. E se apropriou da profissão como partícipe da divisão sócio-técnica do trabalho e, conseqüentemente, proporcionou ao assistente social a consciência de sua condição de trabalhador, indicando o seu lugar no mundo do trabalho, sujeito a todas as implicações que qualquer trabalhador está sujeito: precarização do trabalho; exploração (mais-valia); salários indignos; trabalhos informais com remuneração aviltante; demissões injustas; dentre tantas outras, que dão sustentação ao lucro excessivo pela concentração de renda e a exploração, pela mais-valia.

Logo, além de nos constituirmos como trabalhadores, executamos processos de trabalho e, para tanto, é necessário nos apropriarmos dos Fundamentos do Serviço Social, através, então, do paradigma marxista para consolidar esta apropriação. Portanto, desvendando o significado do trabalho como valor-de-uso e como valor-de-troca.

Marx, ao tratar sobre o trabalho humano, distingue três características: sua dimensão teleológica; capacidade de uso e criação de instrumentos; e de novas necessidades. Na dimensão teleológica, está posta a capacidade do homem antes de realizar um trabalho, de projetar antecipadamente em sua imaginação o resultado do mesmo. Logo, ao concretizá-lo, produz a mudança de forma da matéria natural, mas, nela, realiza seus próprios fins. Na dimensão do uso e criação de instrumentos (meios de trabalho), está posto entre o homem e seu objeto o “como vou executar esta ação?”. É, então, necessário ter à mão meios para se atingir os objetivos antecipados pela dimensão teleológica em relação ao trabalho que quer se executar. Portanto, nos meios de trabalho estão objetivadas não só as formas das atividades, que são necessárias para executá-lo, como também as necessidades humanas – a terceira característica -, isto é, o seu valor-de-uso. Logo, “merece ser salientado que o trabalho é também criação de novas necessidades e, neste sentido, um ato histórico” (MARX e ENGELS, 1977 apud IAMAMOTO, 2007, p. 350).

Ao se criarem novas necessidades, se faz movimento para a superação das antigas necessidades e este transforma os meios para satisfazer as novas. Logo, então, se recriam as condições sociais em que se efetiva o trabalho. O sentido do trabalho passa a se constituir a partir de sua materialidade, ou seja, produz meios de vida, a partir dos quais os homens produzem sua vida material (produção objetiva – coisas materiais). Ao mesmo tempo, se constitui pela sua existência no sujeito, isto é, porque é pela capacidade deste sujeito de acumular novas capacidades e novas qualidades que o trabalho se torna processo de criação e acumulação (produção subjetiva – subjetividade humana). É aqui que emerge a consciência, porque “o produto do trabalho do homem já existia idealmente na ‘representação do trabalhador’” (LUKÁ S, 1978, apud IAMAMOTO, 2007, p. 351).

Contudo, na sociedade capitalista o trabalho se constitui a partir daquele valor-de-uso e do valor-de-troca. Este último que acaba no processo de circulação por abstrair a qualidade do trabalho, reduzindo-o a uma qualidade possível de ser trocada por salário.

Na sociedade capitalista, o trabalho ao adquirir o valor-de-troca, se transforma em trabalho abstrato, perdendo seu sentido humano.

Portanto, o assistente social como qualquer outro trabalhador vende sua força de trabalho. Para seu empregador, seu trabalho tem um valor-de-troca, deixando-o sujeito a todas as injunções da classe trabalhadora – esta é uma das determinações de seu trabalho – se constituindo, pois, como trabalho abstrato.

Logo, a Questão Social, é, nesse sentido, justificadamente o objeto eleito do Serviço Social por envolvê-lo ciclicamente. Está aí como o cerne geracional e é o fim do processo de intervenção. Se constitui, então, no centro do “furacão”, porque não só engloba a profissão pela própria contradição, como o profissional também vive, como sujeito e trabalhador, as suas expressões.
Maria da Graça Türck

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Inscrições abertas!

A grande diferença na proposta de cursos da Graturck reside no trabalho que se propõe em dar base ao conhecimento a ser compartilhado. Divididos em módulos, todos os cursos têm como pré-requisito o Módulo 1 (verde), que trata especificamente da Questão Social, objeto final do Serviço Social para implementação de seus processos de trabalho. Ou seja, se você matricula-se no curso de Perícia Social, a primeira parte do ensino se dará no Módulo 1, em 20h, com a complementação específica no Módulo 2 (vermelho), em 20h, totalizando 40h de curso. Em selecionando cursos do Módulo 3 (amarelo), a lógica se repete, mas os pré-requisitos, além de passarem pelo Módulo 1, englobam também os cursos do Módulo 2. Caso você deseje fazer mais cursos posteriormente, tendo já passado pelo Módulo 1, não haverá mais a necessidade de cursá-lo novamente.

PARA MATRÍCULAS E INFORMAÇÕES SOBRE HORÁRIOS, VALORES E VAGAS:

pelo e-mail matriculas@graturck.com.br

OU

Av. Protásio Alves, 2514/401
Bairro Petrópolis – Porto Alegre/RS
Fone/Fax: (51) 3072.0280 / (51) 3012.5509
(de segunda à sexta-feira das 14h às 18h)
com Têmis
Módulo 1

Questão Social


Conteúdos abordados:
•Questão Social
•Projeto Ético-Político
•Método Dialético-Materialista
•Metodologia da Prática Dialética
Característica:
Base conceitual teórico-prática do Serviço Social.
Público Alvo:
Assistentes Sociais formados e acadêmicos que já tenham passado pelo estágio curricular do curso de Serviço Social.
Vagas:
15 alunos (mínimo de 6 alunos)
Carga-horária:
20 horas

Curso Questão Social: da experiência vivida no cotidiano profissional à teoria

Ementa:
A Questão Social e sua apreensão como objeto do Serviço Social. Sua configuração nos espaços de prática e seu desvendamento na vida dos sujeitos, qualificando os processos de trabalho no cotidiano profissional.

Sinopse:
Através do reconhecimento da Questão Social como objeto do Serviço Social, pretende-se dar visibilidade à aplicabilidade do Projeto Ético-Político da profissão. Para tanto, utiliza-se uma metodologia de aplicação do Método Dialético-Materialista, que vai trazer à tona a contextualização de uma realidade através da visualização das categorias historicidade, contradição e totalidade, fundamentais na apreensão do objeto para a consolidação da identidade profissional nos espaços institucionais e na qualificação dos processos de trabalho dos Assistentes Sociais. Metodologia esta recentemente consolidada como Metodologia da Prática Dialética.
Módulo 2

Processos de Trabalho


Característica:
Dimensão operacional.
Público-alvo:
Assistentes Sociais formados e acadêmicos que já tenham passado pelo estágio curricular do curso de Serviço Social.
Pré-requisito:
Módulo 1
Vagas:
15 alunos por curso (mínimo de 6 alunos)

Curso de Perícia Social

Ementa:
A Perícia Social como área de trabalho especializada e sua interlocução entre a mediação, preservação, garantia e conquista dos direitos dos usuários na intersecção com o Direito e a Justiça na sociedade.

Sinopse:
A constituição da Perícia Social no âmbito do Poder Judiciário, na Assistência Judiciária e no trabalho autônomo. Qualificação dos Processos de Trabalho dos Assistentes Sociais na elaboração da documentação: diferenciação do uso de Laudo Pericial, Estudo Social e Parecer Técnico.

Curso de Elaboração de Projetos de Investigação e Intervenção Social

Ementa:
Apreensão e diferenciação dos processos de investigação e de planejamento como dimensões constitutivas dos processos de trabalho do Assistente Social. Processo de Investigação: elaboração e operacionalização de projetos de pesquisa social, a partir do estudo de métodos e técnicas de coleta, tratamento, análise de dados e respectiva documentação - a elaboração de relatórios de pesquisa. Planejamento Social: conceitos, fases (identificação, concepção, execução e avaliação) e respectiva documentação - a elaboração de projetos sociais.

Sinopse:
Desenvolvimento da apreensão teórica e prática nos processos de elaboração de projetos de investigação e projetos sociais. Propõe-se a cada participante a elaboração de um projeto de pesquisa e um projeto social. Para isso, podem eleger uma expressão da Questão Social para conhecer e intervir e/ou trazer uma demanda da prática profissional.

* Púbico-alvo:
Assistentes Sociais formados.

Carga-horária:
50 horas (20h Módulo 1 + 30h)

Curso de Documentação em Serviço Social

Ementa:
A documentação como meio e produto dos processos de trabalho dos Assistentes Sociais e como instrumento poderoso na consolidação do Projeto Ético-Político na interlocução e mediação de direitos nos espaços de formação e de intervenção profissional.

Sinopse:
Trazer dos mais diferentes contextos de prática a documentação em Serviço Social - tanto dos espaços de formação de estágios curriculares e não curriculares como dos espaços de políticas públicas, entre outros -, que vão publicizar os processos de trabalho dos Assistentes Sociais na mediação e interlocução de direitos.

Carga-horária:
40 horas (20h do Módulo 1 + 20h)

Curso de Construção Social das Sexualidades e Subjetividades no Campo dos Direitos Humanos

Ementa:
O heterossexismo e o homossexualismo enquanto expressões de dominação, submissão e subversão na sociedade contemporânea. A estreita relação entre sexualidades e subjetividades como elementos da constituição social do indivíduo.

Sinopse:
O resgate da construção social das sexualidades através da história e a heterossexualidade como representação dominante da sociedade e sua relação com as subjetividades dos sujeitos.

Carga-horária:
40 horas (20h do Módulo 1 + 20h)

Curso de Supervisão

Ementa:
A supervisão como um espaço de articulação, reflexão e construção de aprendizagem e qualificação profissional na área do Serviço Social, privilegiando a produção de conhecimentos que possibilitem ações criativas e comprometidas com o Projeto Ético-Político da profissão.

Sinopse:
Discutir a supervisão como um instrumento de qualificação dos Assistentes Sociais e da formação profissional, priorizando a competência profissional e a relacional no enfrentamento das demandas institucionais e nos processos de intervenção cotidianos, sob o ponto-de-vista da garantia da consolidação da autonomia profissional, sustentada pelo Projeto Ético-Político do Serviço Social.

* Púbico-alvo:
Assistentes Sociais formados.

Carga-horária:
40 horas (20h do Módulo 1 + 20h)
Módulo 3

Avançados


Característica:
Supervisão experiencial.
Vagas:
8 alunos (sem número mínimo de alunos)

Curso de Instrumentos Operativos

Ementa:
A articulação e uso dos instrumentos e técnicas na execução dos processos de trabalho dos Assistentes Sociais pela intencionalidade sustentada nos Fundamentos do Serviço Social.

Sinopse:
Articulação orgânica de instrumentos e técnicas na operacionalização dos processos de trabalho dos Assistentes Sociais com diferentes expressões da Questão Social, através de habilidades que dêem conta de entrevistas, visitas domiciliares e institucionais, relatórios, genograma de confronto, observação participante, grupos, estratégias de rede, dentre outros.

Carga-horária:
56 horas (20h do Módulo 1 + 20h do Módulo 2 + 16h)
Ou 66 horas (20h do Módulo 1 + 30h do Módulo 2 + 16h)

Pré-requisito:
Qualquer um dos cursos do Módulo 2

Curso de Gestão Social

Ementa:
Estratégias da Gestão Social na esfera pública, privada, Organizações Não-Governamentais e outras entidades da sociedade civil no desenvolvimento de ações sociais na conjuntura atual.

Sinopse:
Aprofundamento das dimensões teóricas e práticas em relação à elaboração de projetos sociais através do monitoramento e assessoria de acordo com a demanda posta.

Carga-horária:
62 horas (20h do Módulo 1 + 30h Módulo 2 +12h)

Pré-requisito:
Elaboração de Projetos (Módulo 2)

Curso A Sexualidade Como Categoria de Inclusão no Campo dos Direitos Humanos

Ementa:
A origem da homofobia e os processos sociais da sua reprodução no campo da desigualdade social e dos processos de discriminação social.

Sinopse:
A constituição histórica do fenômeno da homofobia; a luta pela garantia dos direitos humanos nessa perspectiva (o processo de organização e institucionalização da atenção à esse direito); a exclusão enquanto componente revelador de processos sociais e subjetivos vinculados à homofobia; desafios para o trabalho nessa perspectiva.

Carga-horária:
56 h (20h do Módulo 1 + 20h do Módulo 2 + 16h)

Pré-requisito:
Construção Social das Sexualidades e Subjetividades no Campo dos Direitos Humanos (Módulo 2)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cursos Graturck!

A Graturck está preparando uma série de cursos em Serviço Social para serem oferecidos àqueles alunos em final de curso e assistentes sociais formados que desejam manter a sua constante qualificação.

Aguarde maiores informações nos próximos dias, quando a divulgação ficará pronta para você saber quais são os cursos e quando eles inciarão!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO: UM NOVO ESPAÇO OCUPACIONAL

Embora o Serviço Social se organize como uma profissão liberal, os assistentes sociais ainda não se apropriaram das possibilidades de constituírem espaços de trabalho que impliquem em serem partes desses espaços como profissionais capazes de trazerem para a área de serviços uma outra forma de se instituírem como trabalhadores autônomos.

O francês Thierry Gaudin, fundador e presidente do Foresight 2100, afirma que “a era do emprego se encerra. Começa a era da prestação de serviços e dos trabalhadores” (2008). Esta afirmativa traz embutida uma nova estrutura no mundo do trabalho e vai implicar em um novo perfil de profissional – os profissionais pluriativos, aqueles que desenvolveram potencialidades cujos conhecimentos abrangem as necessidades de um mundo real que está se transformando, saindo de um mundo de “produtividade sem limites e consumismo insustentável, para a era de prestação de serviços e terceirizações”.

O que isto tem a ver com os assistentes sociais? Quais as ferramentas que os assistentes sociais podem se utilizar para entrar com competência neste novo mundo do trabalho?

A partir destas questões podemos fazer a seguinte reflexão: a transformação da educação em mercadoria modifica os espaços de formação acadêmica em grandes complexos de vendas de mercadorias e, conseqüentemente, o que vai se instituindo, pela força do mercado, é a quantidade versus qualidade. Logo, a cada semestre têm-se mais profissionais disputando uma vaga nos concursos públicos disponíveis. Cada vez mais, para uma vaga, têm-se 40 a 50 candidatos, produzindo, então, na consciência coletiva dos profissionais assistentes sociais, recém-formados, a necessidade de conseguir um emprego a qualquer custo, perdendo-se, então, a dimensão do trabalho, independente do emprego.

Logo, ao se perder a dimensão do trabalho nesta perspectiva, não se consegue vislumbrar possibilidades de trabalhos que garantam a sobrevivência cotidiana e, ao mesmo tempo, que permitam a ocupação de diversos espaços a partir de nossa profissão – o Serviço Social.

É importante se apoderar do conhecimento de que o Serviço Social, a partir de seu objeto, Questão Social, dá condições ao assistente social se constituir no mundo do trabalho como um profissional pluriativo, porque garante a este profissional a apropriação das categorias historicidade, contradição e totalidade na vida cotidiana dos sujeitos usuários do Serviço Social. Estas categorias vão dar sustentação ao aprofundamento das refrações da Questão Social a partir do “núcleo duro” da profissão, que envolve os fundamentos do Serviço Social, o Método, a Questão Social, o Projeto Ético-Político e a Metodologia de Aplicação do Método Dialético Materialista. Logo, é necessária a apropriação deste “núcleo duro” que vai garantir a identidade profissional e, conseqüentemente, a intervenção nas diferentes refrações da Questão Social, a partir das especificidades do Serviço Social.
Os espaços profissionais para os assistentes sociais, a partir da Questão Social como seu objeto, vão garantir trabalho, independente das possibilidades de emprego. No entanto, sem apropriação do conhecimento, passa a ser descortinado neste horizonte a precarização do trabalho e a exploração deste profissional como trabalhador.

Para tanto, é necessário estarmos preparados para o que vem se instituindo e se consolidando no século XXI, como afirma Gaudin: “a transformação atual do sistema técnico nos faz passar da civilização industrial para a civilização cognitiva”, portanto, uma profissão que proporciona a apropriação da totalidade no cotidiano das pessoas, potencializa seus profissionais para se tornarem pluriativos e capazes de realizarem o enfrentamento a essa nova dimensão do trabalho, sem perderem e negociarem sua humanidade e seu prazer em exercer o que gostam e que escolheram como profissão.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O ENCONTRO!


Ao participarmos do evento sobre a comemoração dos 18 anos do ECA em Arroio dos Ratos/RS, um público atento e interessado se dispôs a compartilhar o conteúdo da fala que trazia três categorias para a discussão: ato infracional, adolescência e violência familiar.

Mas por que essas categorias se articularam na fala de comemoração dos 18 anos do ECA?

Para responder a essa questão, é necessário priorizar a doutrina de proteção integral, e é nessa doutrina que vamos encontrar a apropriação de responsabilidades coletivas no ato infracional cometido por um adolescente, ou, então, as responsabilidades coletivas no risco pessoal e social que crianças e adolescentes estão sujeitos em uma sociedade capitalista excludente e perversa, que abandona à própria sorte sua herança infanto-juvenil pertencente a classes sociais que se constituem pela desigualdade social. Em um momento em que a sociedade elitizada deste país se envolve obsessivamente com segurança, em busca de grades e cadeias que os possam proteger, esta sociedade elitizada vai, ao mesmo tempo, esquecendo de sua responsabilidade na geração desta violência.

A contradição, então, vai se explicitar em um país que se caracteriza por ter uma justiça que prioriza as classes sociais, onde quem tem mais pode pagar bons advogados e por isto são beneficiados. Logo, ter uma lei como a 8.069/90, se constituindo neste país há 18 anos, incomoda quem não aceita a sua participação social na construção da violência que qualquer cidadão brasileiro está exposto. O seu conteúdo grita por esta responsabilidade coletiva na construção da violência, por isso enfrenta inimigos perigosos que não se cansam, pela argumentação, de pedir pela sua mudança. Esta é a face perversa da burguesia brasileira que a qualquer custo quer criminalizar a pobreza e brada através do argumento da defesa do “estado democrático de direito” para convencer os incautos, que soltar o mega-empresário do banco Opportunity, Daniel Dantas, se está garantindo os direitos dos brasileiros postos na Constituição Brasileira.

Logo, neste encontro, duas questões postas pelo público dão visibilidade a esta contradição que estamos tangenciando. Uma, o sigilo no trato da violência contra crianças e adolescentes. E outra, ao ser solicitado que emitíssemos opinião a respeito do que havia sido colocado na palestra proferida por um operador da justiça pela manhã: o ECA fala em direitos, e nos deveres ninguém fala?

E esta questão nos levou à seguinte reflexão colocada publicamente: quando estamos falando de adolescentes, sabemos que os deveres são conquistados pela confiança com que eles são tratados. E quando os direitos devem ser garantidos por lei, é porque são permanentemente violados por uma sociedade dividida em classes e que está sempre pronta a priorizar os direitos da burguesia.

No mínimo é curioso, ao se falar em direito, trazer a questão do dever, como se a garantia do direito fosse uma benesse. O que é o dever visto socialmente, para um adolescente que vai se constituir no mundo dos adultos? O adolescimento implica em refutar regras socialmente instituídas, consiste em consolidar sua identidade pessoal e social, em buscar um mundo melhor e viver. Adolescentes que roubam, que matam, que bebem, que se drogam, são produtos desta sociedade. De pais ausentes, de exploração do trabalho, da falta de oportunidades, de escolas excludentes, de políticas públicas ineficientes. É necessário falarmos em dever dos adolescentes? E onde fica o dever do mundo adulto em relação a suas crianças e adolescentes?

A outra questão, ao se referir ao sigilo no trato a situações que envolvem crianças e adolescentes, levou à seguinte problematização: como fazer, principalmente nas pequenas cidades, onde todos se conhecem?

Imediatamente esta questão remeteu à reflexão sobre o acolhimento dos trabalhadores/profissionais, porque se constata no cotidiano que estamos perdendo a capacidade de nos cuidarmos como profissionais. Nos lugares de trabalho não se constituem espaços para garantir a acolhida. A realidade é dura e, nestes lugares, muitos gestores não se preocupam em garantir condições de cuidados aos trabalhadores/ profissionais. Entende-se o porquê. Em uma sociedade como esta, o trabalhador tem que ser sugado pela mais-valia e coisificado pelas relações de trabalho. Logo, ocupar espaços de resistência é constituir grupos em que se propicie este cuidado que conseqüentemente refletirá na condução de um sigilo relativo. Porque ao se sentir cuidado, este trabalhador que carrega o peso de uma realidade dura, não precisará dividi-lo com suas relações afetivas e amigáveis, mas o dividirá com seus companheiros de trabalho e na discussão profissional construirá estratégias de enfrentamento a esta realidade que viola direitos.

Portanto, trazer o dever dos adolescentes e o sigilo como discussão no contexto dos 18 anos de aniversário do ECA é explicitar com propriedade o que está por trás de sua discussão: imputar aos adolescentes deveres que antes devem ser cobrados da sociedade, e a mais-valia que se desvenda pela forma com que os trabalhadores circulam as informações a respeito da violação de direitos de crianças e adolescentes em seu cotidiano profissional.

Com certeza, o ECA incomoda. E incomoda porque ele é produto da resistência, porque ele se instituiu pelo movimento social da sociedade civil organizada que o transformou em lei, o grito pelo direito. Longa vida à Lei 8.069/90! E que hoje, ainda, necessita de sustentação para consolidar suas conquistas e fazer acontecer as outras que ainda não estão consolidadas.