segunda-feira, 12 de abril de 2010

PRECONCEITO E SERVIÇO SOCIAL

A palavra preconceito pressupõe se ter um conceito de algo que não se conhece. E este conceito é sustentado na sua essência pela exclusão.

- Não conheço, não quero conhecer e tenho raiva de quem conhece!

Quem nunca ouviu esta frase, dita, quase sempre, no meio de alguma discussão polêmica?

Muitas vezes, ela vem para desqualificar a argumentação contrária e também para materializar com força o preconceito. Logo, se apropriar do preconceito é poder sair do aparente em que se tenta vendê-lo como parte integrante de uma pessoa, de um grupo ou de etnias! Mas se sabe que ao se lidar com o preconceito, não se vai à essência! Não existe interesse em ir à essência!

Porque um dos motivos está ligado a sua própria origem. Ora,o preconceito foi construído e vem se consolidando na sociedade capitalista ocidental por um campo de valores instituído para dar sustentação a esta sociedade de classes, excludente e perversa. Ele vai minando as diferenças, valorando os sujeitos a partir da divisão de classes a que estes pertencem, excluindo as etnias, manipulando a história da civilização, omitindo fatos, valorizando as ‘vitórias’ dos opressores e incentivando o ódio nas relações.

Cabe então a pergunta: Como o preconceito transita no cotidiano profissional dos assistentes sociais?

Inicialmente ele surge excluindo a profissão por ela lidar com os pobres, no jargão dos opressores. Logo, no mercado, o Serviço Social se torna uma profissão desqualificada e mal remunerada. Em seguida, por ser uma profissão constituída, na sua maioria, por mulheres. Na contemporaneidade, além do gênero, discriminada por ser constituída pela diversidade racial e sexual. E o preconceito contra a profissão vai se consolidando quando os assistentes sociais, ao concretizarem o Projeto Ético-Político profissional, se confrontam com o status quo. Portanto, o Serviço Social se torna uma profissão mal vista e no cotidiano, a fala que se ouve, muitas vezes explicita a materialidade do preconceito: “lá vêm as moças boazinhas, defensoras de bandidos!”.

Entender o preconceito com e na profissão é se apropriar do conhecimento de que o Serviço Social é discriminado por tabela pelo próprio preconceito que exclui os seus usuários, isto é, os sujeitos que trazem em suas vidas várias expressões da Questão Social. Esses, como os meninos de rua, as meninas exploradas sexualmente, etnias historicamente escravizadas, dependentes químicos, como os usuários de “crack”, todos, resíduos sociais, excluídos pelo próprio preconceito, cuja raiz tem origem na sociedade dividida em classes sociais. Sem levar em conta, o preconceito sexual que discrimina os homossexuais, os gays, as lésbica se os transsexuais. E aqueles que materializam a sua exclusão pela concentração da propriedade privada, como os sem teto, os sem terra, os sem nada.

O preconceito não permite a pergunta que não quer calar: Qual é a origem da desigualdade social?

E não permite, porque ao respondê-la, se levantará todos os níveis de responsabilidade na construção da desigualdade. E para isso, não há espaço na sociedade. Para dar visibilidade a essa responsabilidade é necessário ocupar o espaço de resistência, é trabalhar com o sujeito social em seu cotidiano, para entender os meandros da estrutura da sociedade capitalista e sua necessidade de manter e consolidar a Questão Social, porque é ela que lhe dá sustentação e oportuniza a classe dominante todas as benesses do mundo em detrimento dos direitos da maioria!
Assistente Social Maria da Graça Türck

Um comentário:

Cintia Tatiana disse...

Gostei. Queria que fosse abordado mais sobre este tema (Serviço Social e o preconceito). É meu tema de TCC e quero entender melhor sobre o assunto.