segunda-feira, 27 de novembro de 2006

SUPERVISÃO: UM ESPAÇO PARA A CONSOLIDAÇÃO DO PROTAGONISMO PROFISSIONAL

Semanticamente, a palavra supervisão implica em “orientação ou inspeção em plano superior”. Esta implicação semântica estabelece dois patamares de uma relação, que pode ser estruturada a partir de um poder sustentado por um saber inquestionável, em que o supervisor se torna o dono deste saber e o aluno-estagiário, o receptáculo deste mesmo saber. É uma relação de aprendizagem em que se exige que este aluno absorva o conhecimento transmitido, sem questionar, sem refletir. Em quantos espaços acadêmicos e institucionais encontramos esta relação de aprendizagem?

Em muitos. E o resultado é encontrarmos alunos preocupados em executar tarefas propostas, previamente determinadas, assoberbados de trabalho, envolvidos em uma ciranda em que é explorado em sua força de trabalho e sem aprender a diferença entre o exercício tarefeiro imposto e a execução do processo de trabalho do Assistente Social. O que está em jogo nesta relação de ensino-aprendizagem que a supervisão proporciona é a concepção de profissão, de supervisão e, principalmente, a falta, por alguns Assistentes Sociais, da apropriação dos fundamentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico-operativos e sua operacionalização nos contextos de prática. Postura esta totalmente desconectada com o Projeto Ético-Político da profissão.

E o outro patamar, em que o supervisor assume o poder, não no sentido da relação, mas o poder que emana da responsabilidade de ensinar. Que o ensinar é antes de tudo consolidar o sentido ético da profissão.

Logo, cada aluno-estagiário adquire um significado único em que o supervisor atento não deixará passar a possibilidade de identificar suas potencialidades para ampliá-las. Então, a supervisão se centrará na qualificação deste aluno, oportunizando a conquista de seu protagonismo profissional.

Portanto, a supervisão é um momento de se experienciar relações em que os alunos-estagiários vão interagir com seus iguais e com os usuários, sujeitos de seu processo de trabalho. Eles vão aos poucos aprendendo que nenhuma situação que se apresente deve ser banalizada e que articular a teoria com a prática é consolidar a garantia de direitos. Logo, ser supervisor é estar comprometido com o Projeto Ético-Político. É ensinar, aprender, superar e avançar a partir das dificuldades que o cotidiano apresenta. É saber que se aprende a todo o momento e que só se ensina ao se respeitar a história de cada aluno-estagiário, porque é a partir do vivido que nos disponibilizamos para a mudança e nos humanizamos para estarmos atentas ao outro e, conseqüentemente, para estarmos no mundo.

“É preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele. Saber que, se a forma pela qual está no mundo condiciona a sua consciência deste estar, é capaz, sem dúvida, de ter consciência desta consciência condicionada” (FREIRE, 2006, p.107).

Portanto, o auto-conhecer é um compromisso que o supervisor que busca potencializar o protagonismo do aluno deve incessantemente buscar, porque, antes do aluno-estagiário aprender a fazer, deve aprender a ser...
Maria da Graça M. G. Türck

Um comentário:

Renato disse...

Olá, minha professora.
Adorei suas colocações. sobre este artigo. muito obrigado por me fazer questionar certas posturas que ando observando.