segunda-feira, 8 de junho de 2009
Continuidade do Curso de Perícia Social em Tapera/RS
Palestra em Santa Rosa/RS
Encontro com Assistentes Sociais em Santa Rosa/RS
Evento do Dia do Assistente Social no Grupo Hospitalar Conceição
Eventos em Erechim/RS
terça-feira, 2 de junho de 2009
PRBS espetaculariza o que não devia - está passando dos limites aceitáveis...

Passem os olhos por algumas das imagens da campanha contra o crack agora levantada pelo PRBS. Percebam algumas das montagens que serviriam para representar o viciado. É, por vezes, constrangedor...
Uma campanha que se mostra tão maquiada quanto a modelo do anúncio - sim, campanha como anúncio publicitário. Porque não se está falando de jeans descolados de alguma grande marca, ou a nova coleção outono/inverno de alguma loja nova do Barra Shopping. Se está falando de crack, de droga pesada, de fedor.
E este fedor não usa sombra para delinear os olhos como se fosse tendência comportamental da juventude urbana. Este fedor não é branco. É negro, é sujo.
Ele não está na bonitinha tatuada, mas está na menina negra, portadora do HIV, tuberculosa, dormindo no banco, respirando difícil, com um olho entreaberto, morta-viva.
E fede demais. É um cheiro que entranha no corpo, que se espalha como uma nuvem, como fumaça saindo de vidas despedaçadas, pouco a pouco, clamando pela morte.
Não há nada de bonito no crack, não há nada que possa sequer se parecer com um anúncio de moda. Não há nada de classe média no crack...
O maniqueísmo dessa campanha é tão aberrante que enoja mais do que a própria droga em si. Esta é uma epidemia que vem se alastrando há tempos pela cidade de Porto Alegre, mas que aparece, agora, como novidade, enfeitando as páginas da ZMentira e do ClicPRBS, alavancando um sentimento de responsabilidade social naquela que é a empresa que procura ditar os comportamentos da maioria da população gaúcha, maquiando - como maquiou os seus modelos - uma intenção de auxiliar a quem precisa.
Será por que o crack está chegando nas coberturas dos bairros nobres? Será por que pulou os muros dos casarões?
Qual será a fórmula mágica que sairá estampada em camisetas limpas, branquinhas, posadas nos articulistas da grande mãe da mídia gaúcha? Como as famílias devem se portar diante deste problema? "Meu filho conseguirá ler?" - o que comprar, o que vestir, o que dizer em uma entrevista de emprego, para que time torcer, em quem votar, quem é o culpado... Eles dão respostas para tudo. E agora? Qual o final disso?
No final, tudo será varrido para baixo dos tapetes da rua, e quem sofrerá com a continuidade dessa epidemia será o espaço público, sem importância, das praças escuras e viadutos das vias mais movimentadas.
E, então, o PRBS achará outra campanha para fazer, outro mote para soltar todo o seu preconceito de classe, que se apresentará triunfalmente nos seus canais, bradado por algum de seus apresentadores almofadinhas, que questionará: "Quando as ruas de Porto Alegre voltarão a ser dos seus cidadãos?".
E reiniciaremos todo um ciclo, reiniciaremos como se as mentes fossem reformatadas, usando o vício do crack como desculpa para limpar a cidade de seres imundos, sujos e ameaçadores.
"Queremos nossas ruas de volta!" - alguém gritará do auditório milimetricamente montado. Algum funcionário da segurança pública do estado concordará e dirá que é complicado, que essas pessoas trazem insegurança e que a polícia prende, mas logo eles já estão lá, na rua, de novo, amedrontando os pobres cidadãos de bem da Porto outrora Alegre...
E reiniciaremos o ciclo tudo de novo, mais uma vez, de um novo jeito, mas com o velho resultado: o fedor, o fétido cheiro da exclusão, podre, doente, triste.
Algum time será campeão de algum campeonato, alguma empresa trará investimentos para a cidade, haverá um novo megaempreendimento imobiliário na cidade, os shoppings se expandem, algum gaúcho ganha prêmio no exterior, os clubes lutam por seus atletas olímpicos, a Copa está chegando... E a menina aquela agonizando.
E tudo será esquecido, ficará restando apenas o cheiro, aquele fedor horrível...
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Essa menina que menciono tem nome, mas eu não vou revelar, eu a conheço, a encontro seguidamente, seja pelas ruas da cidade, seja nos projetos que montamos. É real, nua, crua. É mãe. Várias vezes. Ela fala, tem opinião e é forte, muito mais do que podemos sequer imaginar.
*Texto de Gustavo Türck, do blog Alma da Geral
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O Ponto de Cultura começa a tomar forma
Na quinta-feira, dia 28 de maio, estivemos na casa onde vai ser a sede do Ponto de Cultura Ventre Livre começando os trabalhos de constituição do espaço físico do projeto. Tem bastante trabalho pela frente incluindo reformas e limpezas, mas devagar tudo o que foi planejado no papel começa a tomar forma.
Temos a consciência - e alguma experiência - que o trabalho comunitário, principalmente quando não somos moradores da região, é demorado e que a confiança das pessoas precisa ser conquistada através do trabalho. Muito justo.
Na Vila Jardim especificamente esse primeiro contato com a comunidade está acontecendo via Posto de Saúde Divina Providência, parceira do projeto. A participação de pessoas como a Vera, Genilda, Rose, Sílvia, Eduardo, Rosmere, Iara, estão sendo fundamentais.
Primeiras conversas
A partir das reuniões iniciais pudemos conhecer a Escola Crianças do Futuro surgida da associação de alguns moradores que constituiram um espaço de educação que oferece à comunidade jardim de infância, cursos de artesanato, administração e culinária. É um lugar muito especial, construído com muito carinho. Pela conversa que tivemos com a coordenadora da Escolinha, a Vani, deu pra senti que iremos fazer um intercâmbio muito rico.
Conhecemos, também, a gráfica do Roberto e tivemos a oportunidade de encomendar uma faixa provisória para identificar o Ponto. Desde contato percebemos que a demanda gráfica é um dos serviços que poderemos contar dentro do bairro incentivando, assim, a economia local.
Do trabaho de seleção do Agente Cultural e da limpeza da casa conseguimos faz a aproximação com as pessoas da vizinhança. A Iara (agente de saúde) conseguiu a água pro chimarrão e articulou com a Andréia e a Zefa algumas cadeiras. A Crescer, escola particular de ensino fundamental que fica localizada em frente à casa, emprestou uma mesa. O Ibanês - morador da Vila há 60 anos - trouxe a sua filha para a escolha do Agente Cultural de Saúde, declamou um poema gauchesco e se colocou à disposição. O Quincas, serralheiro, nos emprestou ferramentas e fez um orçamento para o portão da casa e o Ademir, após uma bela prosa, se colocou à disposição para qualquer coisa. Essas iniciativas nos confirmaram que a rua é um espaço fundamental de convivência, incentivando os valores humanos da vida em comunidade.
Expectativas
O próximo passo será a reforma da casa que necessita um novo forro, piso, pintura, instalação elétrica e a construção de 1 laboratório fotográfico. A Engenheira Civil Patrícia Fenocchio, o Engenheiro Eletricista Marco de Oliveira, a estagiária de Arquitetura Mariana Brandelli e o administrador Carlos Gama visitaram a casa e voluntariamente desenharam a planta das novas instalações e levantaram os materiais necessários para conseguirmos apoio junto à lojas de tintas, construção....Além disso, precisamos mobilizar voluntários para a mão-de-obra. Tudo dando certo a previsão é que em 2 meses a casa deva estar operacional.
Por enquanto era isso, seguimos trabalhando, logo teremos mais novidades.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Palestra em Garibaldi/RS
Dia 11/05/09 a Assistente Social Maria da Graça Türck participou do II Fórum Acadêmico de Serviço Social da FISUL, em Garibaldi/RS, proferindo a palestra "Socializar a Riqueza para Romper com a Desigualdade - A Materialização da Questão Social no Cotidiano Profissional". Além de alunos do curso de Serviço Social, também assistiram à palestra alunos dos cursos de Enoturismo e Administração.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Curso de Perícia Social em Tapera/RS
sexta-feira, 15 de maio de 2009
No dia do Assistente Social, uma reflexão: as escolhas
Este é um momento propício para se pensar a profissão e suas lutas para construir e consolidar uma identidade diferente da identidade atribuída pelo capital, quando ela foi intencionalmente pensada, primeiramente pela via da caridade, depois pela via da manutenção do conformismo e da miopia de pensar e intervir no social a partir da culpabilização do sujeito e de suas relações afetivas.
Hoje, é um dia para se comemorar a profissão, que ousou dar um salto qualitativo na grande virada ao fazer a opção pelo Projeto Ético-Político: “a defesa intransigente de direitos e a luta por uma sociedade justa e igualitária”. Um Projeto que indica a orientação social da profissão e se sustenta nos Fundamentos Teórico-Metodológicos, Éticos-Políticos e Técnico-Operativos, que “reconhece a Questão Social como base de fundação sócio-histórica do Serviço Social” (IAMAMOTO, 2001, p.57).
Logo, neste dia tão especial, quero fazer um contraponto, em que parte da categoria dos Assistentes Sociais vem utilizando teorias pós-modernas, produzindo um movimento de ameaça ao Projeto Ético-Político, sustentando esta opção, a partir de garantir a liberdade de escolha ao utilizar outras teorias para intervir na realidade.
Neste momento quero compartilhar com vocês a reflexão que fiz, levada pela pergunta de uma aluna/assistente social ao se referir à Teoria da Complexidade, que vem sendo utilizada por parte da categoria, justificada pela liberdade de escolha. Parto, então, da seguinte premissa: a complexidade é uma teoria para ler a realidade e, segundo Minayo (2007), não tem método nem metodologia, logo, para uma profissão como o Serviço Social, que tem na sua essência a intervenção no cotidiano, pode-se inferir que não se aplica. Mas, mesmo que se aplicasse, a argumentação da liberdade de escolha não serve, porque a opção pelo Projeto Ético-Político está articulada à Questão Social. E esta nos diz que a sociedade que está aí se constitui pela violação de direitos e que, para intervir no cotidiano dos sujeitos sociais, é necessário ocupar os espaços de resistência. É dar visibilidade ao invisível, isto é, possibilitar a garantia de direitos a estes sujeitos sociais que trazem em suas vidas todas as expressões da Questão Social. Logo, a argumentação da liberdade de escolha para negá-la vai ao encontro da destruição do Serviço Social como profissão, porque vai mexer com o seu “coração”.
É diferente, por exemplo, da Sociologia, que tem como objeto profissional a “construção de conhecimento”. Para os sociólogos é possível utilizar qualquer teoria para analisar os fenômenos sociais e interpretá-los à luz de referenciais teóricos diversificados, sem com isto destruir o seu objeto profissional.
No entanto, para nós, Assistentes Sociais, não. Ao negarmos nosso objeto profissional – Questão Social -, estamos negando a nossa própria essência, porque este implica em “dar conta das particularidades das suas múltiplas expressões da Questão Social na história da sociedade brasileira, é explicar os processos sociais que as produzem e reproduzem e como são experimentadas pelos sujeitos sociais que as vivenciam em suas relações sociais quotidianas. É neste campo que se dá o trabalho do Assistente Social, devendo apreender como a Questão Social em múltiplas expressões é experenciada pelos sujeitos em suas vidas quotidianas” (IAMAMOTO, 2001, p.62).
Portanto, neste dia tão especial, é necessário qualificarmos os caminhos de intervenção profissional cotidiana a partir dos Fundamentos do Serviço Social para consolidarmos esta profissão que optou pela via do direito como orientação social da profissão.
Feliz Dia dos Assistentes Sociais!